Quando um rótulo diz “ácido glicólico 10%”, quase nunca está falando de ácido.
A maior parte do mercado declara o percentual da matéria-prima comprada do fornecedor — que é uma solução, e traz apenas uma fração de ácido de verdade. Dez por cento de uma solução a 70% são sete por cento de ativo. É legal escrever assim, e ninguém está mentindo. Só que a cliente acaba comparando dois números que não medem a mesma coisa.
Aqui os 7% são de ativo real. É um número menor no rótulo e maior no frasco.
E há um segundo número que quase ninguém publica, apesar de decidir mais que o primeiro: o pH. O ácido glicólico só age na forma livre, e a proporção de forma livre depende do pH. Muito alto, e o ácido está quase todo neutralizado — o produto é confortável e não faz nada. Muito baixo, e a entrega dispara junto com a irritação, o ardor e a descamação que fazem tanta gente desistir de ácido para sempre.
pH 3,5 é o ponto em que os dois se encontram: biodisponibilidade alta com a barreira intacta. É por isso que este tônico pode ser rotina em vez de evento.
E cada lote sai com laudo físico-químico e microbiológico — o microbiológico em laboratório terceirizado. Não é exigência para cosmético. É prática de linha clínica.